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|RESENHA| Quase uma rockstar – Matthew Quick

Me adianto aqui pra falar que o livro que irei resenhar foi escrito por um cara do qual eu sou fascinado chamado Mathhew Quick, cujo o poder de escrita se revela maravilhosamente e assombrosamente tocante. Então, não reparem se eu exagerar um pouco. Até porque, exagerando ou não, só trago verdades.

Após ter lido O Lado Bom da VidaA Sorte do Agora e Perdão, Leonard Peacock sabia que precisava conferir todas as outras demais obras que ainda restavam de Matthew e Quase Uma Rockstar  foi imediatamente adicionado na minha lista de desejados sem sequer ter lido a sinopse, tamanha era minha confiança na habilidade do autor.

A história gira em torno de Amber, uma garota que acaba ficando desabrigada junto com a mãe depois que o namorado desta as expulsa de casa, razão pela qual elas acabam tendo que morar em um ônibus escolar. Apesar das situações adversas, Amber não perde a esperança e faz de tudo para ajudar seus amigos, os idosos da Casa de Repouso Metodista, um soldado veterano da Guerra do Vietnã, as mulheres coreanas da igreja que frequenta. Porém, quando uma tragédia acontece em sua vida, a esperança de Amber é posta totalmente à prova.

Como você já deve ter percebido, em Quase Uma Rockstar, Amber Appleton é conhecida como “Princesa da Esperança” entre seus amigos e conhecidos. Ela nunca se deixa abalar por nada de ruim que acontece – ela dorme em um ônibus escolar! – e sempre está disposta a ajudar quem está precisando de uma mãozinha. Quem está sempre do lado dela é o famoso JC, vulgo Jesus Cristo – acho maravilhoso o estilo descontraído da narrativa de Matthew Quick, que mostra que religião não é esse assunto intocável que não pode ser tratado constantemente com adolescentes e a Amber o chama carinhosamente de JC. Isso mesmo, mesmo a mãe de Amber sendo atéia, a menina conheceu a igreja quando foi levada pela mãe de um amigo e gostou muito de conhecer seu novo melhor amigo, JC. Ela faz parte de um coral na igreja chamado Divas Coreanas por Cristo, onde ensina inglês para coreanas e também faz umas visitas à um asilo pela diversão de distrair os velhinhos, onde conhece uma idosa que testa sua esperança. Tudo isso enquanto dorme no ônibus de escola que sua mãe dirige. Depois de uma tragédia em sua vida, ela questiona se seu melhor amigo JC realmente quer o nosso bem e o porquê de ela sempre confiar nele rezando e agradecendo e ajudando e ele lá de cima deixar algo terrível acontecer com ela.

No começo do livro, eu não estava dando muita bola para a escrita do Matthew, chegando a questionar o potencial de um dos meus escritores preferidos. Eu não entendia o ponto do autor ao explorar lados tão diferentes como a relação de Amber com Deus, com seus amigos nerds  – um negro excluído na escola, um autista, um deficiente em cadeiras de rodas e seu irmão – que jogavam Xbox o tempo todo e formavam o grupo d’Os Cinco, e ainda por cima outros episódios que pareciam entrar de penetra com um amontoado de informações.

Quando comecei a perceber que tudo se interligava de uma forma incrível, cheguei a pensar que eu devia ler esse livro nesse momento da minha vida em que eu questiono minha própria fé. Talvez o amigão JC queria que eu tivesse lido esse livro. Bem, chorei em umas cinco partes diferentes e aposto que pelo menos três delas foram simplesmente por eu me identificar com Amber. Ela duvidou da capacidade do amigo JC por conta de dificuldades que poxa, por que será que JC deixaria algo tão ruim acontecer com ela se Ele ama a todos nós? Eu me perguntei isso por tantos meses da minha vida.. Me pergunto até hoje. Afinal, eu sou uma Amber Appleton. O final do livro me fez crer que JC ainda tem um plano pra mim, sabe? Eu creio nisso.

Gosto quando livros não só te divertem, como também te ensinam algo. O título do livro me lembra música e rock and roll. A sinopse me fez pensar que era um romance. Quem dera. Fui enganada em relação a tudo isso. Entre amizade, superação, esperança e humor, a relação de Amber com JC foi o que mais me prendeu. A escrita do Matthew Quick deixou tudo mais emocionante. O livro é dividido em várias partes e em uma delas, os capítulos são de uma página e poucas linhas. Cada página um capítulo. Quase Uma Rockstar realmente me inspirou e eu senti que precisava escrever uma resenha assim, falando sobre o real conteúdo do que está escrito no livro, que é totalmente reflexivo e inspirador.

O livro não é religioso, mas me impressionou a ser o primeiro que tenho conhecimento que incluiu esses assuntos para tratar de esperanças, confiança e tragédias. Dei cinco estrelas e já posso dizer que é um dos meus favoritos, sem falar que, assim que finalizei o livro, já saí indicando para a maioria dos meus amigos que assim como eu, precisam conhecer Amber Appleton e sua relação com JC, nosso cara.

Escrito, Livros

Resenha: Perdão, Leonardo Peacock – Matthew Quick

Nas últimas 24 horas tornei-me refém de Leonard Peacock. Rendi-me completamente aos encantos de Matthew Quick e sua escrita brilhante e fascinante porque é exatamente isto o que ele apresenta em Perdão, Leonard Peacock.

Eu já havia lido outros  títulos do  autor, cujos temas também narram histórias maravilhosas e tocantes como Quase uma Rockstar,  O Lado Bom da Vida e A Sorte do Agora, mas já havia um tempo em que algumas opiniões me chamavam a atenção a respeito desse livro e confesso que no momento em que li tais opiniões, eu ainda não me sentia aberto e disponível para lê-lo. Acredito que não era o momento. Para ler e, consequentemente compreender a história criada por Matthew Quick era preciso desligar-se de tudo que estava ao meu redor. Era preciso se entregar inteiramente à história e, para isso, decidi que o momento certo só viria quando eu estivesse 100%  envolvido de corpo e alma somente e exclusivamente a esse maravilhoso conto. Encomendei um exemplar só para mim e esperei ansiosamente pela chegada do produto. Enfim, decidi que a espera tinha acabado. Era hora de se doar ao maravilhoso diálogo de Matthew.

Perdão, Leonard Peacock é um livro intenso que desperta sentimentos da mesma grandeza. É possível chorar com a tristeza e solidão descrita por Leonard. Mas ao mesmo tempo, Leonard consegue arrancar risos com suas ideias e atitudes impulsivas. Não se deixe enganar pelas aparências ao supor que o livro irá retratar a história de um jovem depressivo e melancólico. Nada na escrita de Matthew Quick é superficial, raso, impessoal. O livro levanta questões atuais e sérias que abordam a solidão de um jovem esquecido pela família e ignorado pelos colegas de classe. Perdão, Leonard Peacock vai além do óbvio, do previsível. Não estamos aqui falando de mais um livro que tem o bullying como tema principal. Estamos falando de algo bem mais sério. O tema principal do livro é a depressão e o estado emocional de um jovem que clama por ajuda.

Leonard Peacock é um jovem solitário e deprimido que decide por um fim a sua vida justamente na data de seu 18º aniversário. Leonard planeja primeiramente matar seu ex-amigo Asher e logo em seguida suicidar-se. Tudo está meticulosamente planejado na mente de Leonard. A arma utilizada será uma pistola P-38 usada pelo avô na 2ª Guerra Mundial. Mas, antes de dar fim ao seu sofrimento, Leonard decide presentear as quatro pessoas que ele mais considera em sua vida.

Walt é o primeiro deles. Um velho que vive sozinho e que passa a maior parte de seu tempo sentado na poltrona de sua casa assistindo os filmes em preto e branco de Bogart. A sua relação com o vizinho é muito próxima. Leonard tem em Walt a figura paterna, o carinho e atenção que ele jamais tivera dos próprios pais.

Linda, a mãe, é estilista de moda e não dá a mínima para Leonard. O pai passara boa parte de sua vida bebendo e se drogando. Sem mais nenhum apego à família ele simplesmente parte para algum canto da Venezuela. Desde muito cedo Leonard se acostumou a viver sozinho. Por isso ele não teme a morte, pois para Leonard todos já estão mortos. Algo curioso é que Leonard chega a essa conclusão observando o cotidiano das pessoas em atitudes comuns.

Outros presentes precisam ser entregues antes que Leonard dê fim a tudo que lhe atormenta. Todos os presentes estão embrulhados em um papel cor-de-rosa, não por um acaso, para compreender o que está detrás de tal simbologia, o leitor deverá ficar atento aos sinais que são apresentados ao longo da narrativa.

É difícil descrever o quanto esta história é grandiosa. Em todos os aspectos Matthew Quick nos convida a refletir sobre como estamos acostumados a viver no piloto automático, agindo como robôs, esquecendo do valor das coisas simples. É pelo olhar clínico de um jovem “problemático” que conseguimos ter a real noção da falta de amor e respeito ao próximo. Como não paramos para ouvir o outro. Talvez, seja esta a premissa mais forte apresentada ao longo da narrativa.

Apesar de todo seu desequilíbrio emocional Leonard nos passa uma lucidez, uma visão de mundo madura para um jovem de apenas 18 anos. O engraçado é que tive momentos que senti vergonha de ser quem eu era e de como eu me comportava diante das mesmas situações descritas pelo personagem. A única pessoa que Leonard realmente confia é Herr Silverman (seu professor de história e também um dos poucos amigos de Leonard) mas até mesmo o professor guarda um segredo por baixo das mangas compridas de sua camisa. Leonard não entende o motivo pelo qual o professor nunca usara nenhum tipo de camiseta. O segredo de Herr Silverman é um dos pontos marcantes da história. Mas nada é tão chocante quanto o segredo que Leonard guarda e que faz com que todo o seu sofrimento se justifique.

Matthew Quick tem uma escrita simples, ligeiramente ácida, nua e crua, explorando cada momento com avidez. Precisamos manter o controle para não deixar nada escapar. Cada palavra ganha um peso diferente.

No momento em que o segredo de Leonard é revelado tive a sensação de que o ar tinha parado de circular. Tudo é tão perturbador que não tenho como descrever a sensação sufocante que senti neste momento. Quando chegamos a esse ponto imaginamos que a história por si só se defina, mas é exatamente o contrário. Conseguimos compreender toda a complexidade que envolve o segredo de Leonard e o motivo pelo qual ele desejara cometer o homicídio-suicídio.

A maestria de Matthew não para por aí. O livro é repleto de notas de rodapé e faz com que o leitor possa conhecer uma história dentro de outra história. Não chega a ser confuso porque o autor dá continuidade aos fatos exemplificando-os de maneira clara e objetiva. Além das notas de rodapé que tornam a narrativa ainda mais rica, o autor explora a criatividade e inteligência de Leonard apresentando cartas que o próprio personagem escrevera para o seu “eu” no futuro. É simplesmente perfeito.

Eu poderia escrever cinco mil palavras para definir o quanto este livro é magnífico em toda sua grandeza de sentimentos, mas ainda assim não seria suficiente. Perdão, Leonard Peacock é um dos livros mais bonitos que já li. Eu poderia descrevê-lo como um livro louco, belo, incrível, fascinante, chocante, encantador, perturbador. Prefiro resumi-los em apenas uma única palavra: PERFEITO.

Perdão, Leonard Peacock é aquele livro que todo mundo precisa ler. É um livro para levar pra vida. Não há como não se sentir modificado de alguma forma. Nunca um abraço significou tanto para mim. Cinco estrelas e favorito, é claro.

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