Escrito

O Diabo é o Pai do Rock

*Antes de mais nada, saio em minha defesa para deixar bem claro que o texto que venho a publicar mais abaixo não é de minha autoria. Encontrei-o em uma de minhas navegadas pela web, mais precisamente num site de monólogos, e resolvo agora compartilhar com vocês. Em parte porque sou uma pessoa bastante eclética e curto muito um bom rock, e em parte porque a pessoa de autoria soube muito bem utilizar de suas palavras para explicar o que há muito tempo eu também vinha tentando dizer aos preconceituosos de plantão. Sim, aqueles que saem por aí ladrando e julgando tudo e a todos sem procurar conhecer uma ínfima parcela do assunto ou do sujeito. Essa é pra vocês!

É triste, mas pouca gente entende a ironia de Raul. Já faz parte do imaginário popular pensar que rockeiro é drogado, baderneiro e satanista, mesmo que você não conheça um único rockeiro que seja tudo isso.  Minha mãe é a primeira a arregalar os olhos quando digo que vou para um show de rock. Ela imagina todos aqueles homens cabeludos vestidos de preto, tocando uma música barulhenta, enquanto todos os outros cabeludos balançam a cabeça. Provavelmente pensa que vou ser esmagada ou pisoteada durante uma roda punk, quando, na realidade, eu permaneço praticamente intocada dentro de um círculo invisível de proteção. Chega a ser irritante ouvir os caras falando o tempo todo: “ó a menina aí”, “cuidado com a menina”, como se eu fosse de vidro, mas só essa preocupação já é uma amostra de como os rockeiros são gente finíssima.

As rodas punks, ao contrário do que se pensa, não são uma manifestação gratuita de violência. São muito mais uma catarse coletiva onde as pessoas liberam toda aquela energia que está sendo absorvida pela música. A vibração é tão grande que é preciso extravasar, libertar os demônios (vê? libertar, não invocar). É claro que nessa brincadeira todo mundo acaba levando pelo menos uma cotovelada ou um “pisão” no pé, mas se alguém cai, tem sempre uma mão vinda não-se-sabe-de-onde pra te levantar.

Um dia desses, quando eu voltava de um show, o taxista começou a falar sobre como eu devia tomar cuidado com esses lugares, de como os rockeiros só vivem chapados e não querem nada com a vida. O irônico é que ele estava ouvindo um DVD de Whitney Houston, aquela da música “I will always love youuuuuu” do filme do guarda costas (deve ser o único sucesso dela), que curiosamente tinha acabado de morrer por overdose de cocaína. Fiquei de cara com o preconceito, ou com o conceito que ele achava que tinha sobre algo que ele provavelmente jamais havia experimentado (o rock, não as drogas).

Mas a verdade é que arte e drogas sempre andaram juntas.  As substâncias se diversificaram, algumas só mudaram de nome, mas grande parte da produção criativa da humanidade nem mesmo existiria se não fossem por elas. Eu, particularmente, agradeço ao LSD por músicas como “Shine on you crazy diamond”, do Pink Floyd, e por tantas outras do Bob Dylan, Rolling Stones e até mesmo dos próprios Beatles.

Quanto ao satanismo, convenhamos, é uma crença como outra qualquer. Assim como existe o rock cristão, também existe o rock satânico, que, aliás, atende por nomes bastante sugestivos, como Black e Death Metal, para que você não seja pego de surpresa.  Entenda, não se trata de uma regra, é apenas a beleza da democracia e da liberdade de expressão¹, que permite que as pessoas escrevam músicas sobre qualquer coisa, inclusive sobre bundinhas e garrafas. Não falo isso com desdém, acredite, o sexo é um elemento recorrente na história da música e da arte em geral, justamente por ser uma linguagem universal. Digamos apenas que alguns compositores são, hm… mais refinados do que outros.

Se o diabo é o pai do rock, então ele é também o pai do funk, do axé, do pop e da bossa nova. Mas Raul, apesar de incompreendido, já havia alertado: “Existem dois diabos, só que um parou na pista/Um deles é o do toque, o outro é aquele do exorcista”. O diabo do toque é o diabo do conhecimento, da lucidez, da resistência e da liberdade do pensamento. Einstein provavelmente curtia esse toque, o Freud também. Mas se por acaso você venha a ter com o “outro” demônio, aí meu amigo, a culpa não é do rock não!

¹ DEIXA EU FALAR, FILHA DA PUTA!

Por: 

Escrito

Porque Eu Me Importo?!

Quando criança, era de praxe ouvir-se uma discussão acirrada dos meus vizinhos que moravam ao lado, todo fim de semana. Bastava o domingo raiar que eles começavam logo cedo a se estranharem. No começo, nada de mais, pequenas discussões acompanhadas de insultos, mas depois as coisas foram se intensificando para algo maior, como agressões físicas. Passado um tempo a rua inteira já estava a par da situação do casal. A violência já não se limitava mais as quatro paredes daquela residência. A avenida se tornara palco para aqueles que tem sede e fome de assistirem a uma certa destruiçãozinha. Eu como todos, observava todo o desenrolar daquelas cenas nada agradáveis, daquele perverso show de horrores. Escondido por trás da saia de minha mãe, apertava o braço dela e perguntava “mas ninguém vai fazer nada para ajudá-la?” e como recompensa recebia um “em briga de marido e mulher ninguém mete a colher” como resposta. Não é preciso ser nenhum sábio para saber que eu abominava aquele ato, que o achava inaceitável. Algumas semanas depois, na escola, um garoto com mais ou menos a minha idade sofria bullying por ter o peso acima da média, e adivinhem? Os professores e os outros alunos faziam vista grossa frente ao problema e se limitavam em tomar uma atitude que resolvesse a situação e acabasse de vez com as provocações.

Com o tempo, eu passei a repudiar os indivíduos que praticavam a violência ou qualquer tipo de dano psicológico, moral ou físico a outras pessoas. Me enojava o tipo de ser humano que usava de provocações baratas ou piadas para rebaixar ou menosprezar alguém em particular. Pessoas que usam a sua força como meio de intimidar, que se valem dos meios mais sujos e desprezíveis para obter o que querem, eram tidas por mim como seres quebrados, vazios e desmerecidos de compaixão ou piedade. Mas com o tempo eu percebi que esse tipo de pessoa não é grande problema do mundo ou o grande mal da sociedade. Existe um tipo mais perverso e insensível de ser humano. Você está duvidando de mim? Calma lá rapaz, vou lhe explicar direitinho. Recordando uma célebre frase de um escritor e poeta do qual eu já não lembro mais o nome: “Há dois tipos de pessoas ruins no mundo, as que fazem maldades e as que vêem o mal sendo feito e não fazem nada.” E creio, que para mim, o segundo tipo de pessoa são as mais perversas, pois assistem de camarote a insossa e cruel realidade que arrebata o próximo, sem se sentirem nada empáticas ou solidárias com as outras pessoas.

Durante muito tempo, eu pensei que ruins eram apenas aqueles que ameaçavam, assassinavam, roubavam , estupravam, mentiam, manipulavam e usavam de sua própria boa fé contra você mesmo. Mas eu percebi que a violência deles era aceitável, pois combinava com a personalidade que eles tinham, fazia parte do que eles eram. E que, ainda pior do que todas essas pessoas que agem assim, são as pessoas que assistem a tudo isso sem mover um dedo. Somos NÓS, os negligentes. Passei a entender que a verdadeira violência é ignorar o que acontece a nossa volta, bem diante de nossos olhos, quando na verdade podemos fazer bem mais do que imaginamos que podemos fazer. Você pode até querer se defender dizendo “sou uma pessoa boa, não pratico esse tipo de comportamento em meu cotidiano. sou limpo e justo perante os olhos do Pai.” Mas e quanto a sua vizinha que é violentada e abusada pelo marido semanalmente em sua rua? E sobre o garotinho desconfiado e cabisbaixo que sofre diariamente com os insultos dentro e fora da sala de aula, que perde o recreio escondido no banheiro, como refúgio do inferno fabricado pelos outros? E se você ainda preferir, qual foi o fim daqueles pobres gatinhos que no caminho de volta, da escola pra casa, você testemunhou dentro de uma caixa pequena de papelão nas mãos daquele homem grandão e sem nenhum brilho de vida nos olhos, prestes a ser arremessada dentro de um canal aberto que atravessa a cidade? Você fez algo a respeito, hein? Não? Nada? Pois é.

Você pode ver claramente que quase sempre podemos fazer alguma coisa, que algumas vezes, podemos mover a mão do destino e transformar e moldar as circunstâncias e realidades, deixando-as melhores. Mas escolhemos não fazer nada. Sentamos e assistimos, como um espectador conformado, o fim do mundo acontecer. E de que adianta? Porque se preocupar? Você pode simplesmente fechar os olhos e fingir que nada acontece. É uma escolha sua. De todo modo, pode ser que amanhã você passe da condição de espectador para vítima. As possibilidades existem e estão aí. Portanto, MOVA-SE! Tenha alguma ação, você não é uma árvore. Pare de ser tão cruel quanto aqueles que são os responsáveis pela barbárie de nossa sociedade, pare de contribuir involuntariamente para que a violência continue, pare de fazer vista grossa, e pela primeira vez, enxergue o que acontece a sua volta. O mundo precisa urgentemente de você.

Está nas suas mãos. A escolha é sua. Decida.

Livros

5 Livros que você deveria ler

Costumo dizer que amo a leitura porque o verbo que define a ação não é apenas “ler”, mas também “mergulhar”. Um mergulho em histórias. Encontrar um bom livro pra ler é uma das coisas que me deixa realmente feliz. Depois de um longo dia de trabalho chegar em casa e preparar aquele café bem quente com um bom livro, da uma sessação de tranquilidade.. Para que vocês possam acompanhar essas histórias incríveis, listei 5 livros que são os meus favoritos do momento e que você deveria ler.

–  Tá Gravando e Agora?

Ela está de volta. Depois de vender 400 mil exemplares do seu primeiro livro, Muito Mais que 5inco Minutos, Kéfera Buchmann publica Tá gravando. E agora?, novamente pela Editora Paralela. Nele a youtuber mais conhecida do Brasil conta como seu canal, 5incominutos, atualmente com mais de oito milhões de inscritos, surgiu, revelando detalhes até então inéditos. Kéfera relembra como foi gravar o primeiro vídeo, as inseguranças que surgiram e como ela conseguiu superar os obstáculos para, aos poucos, ir conquistando milhões de fãs. Ela ainda tenta responder a pergunta que mais ouve dos seus seguidores: “Como eu faço para fazer o meu canal de Youtube dar certo?”. Não, não existe uma fórmula mágica, mas Kéfera dá várias dicas úteis que podem ajudar os aprendizes de youtuber.

– O Diário Secreto 

Gusta Stockler divide com os leitores algumas de suas experiências e visões de mundo, que podem ajudar as pessoas a ser mais felizes e a acreditar nos próprios sonhos. Este livro fala sobre sonhos, não os de padaria, mas tão gostosos quanto. Fala sobre a importância de descobrirmos nossos talentos secretos e nossos desejos mais ocultos. Nesta obra, Gusta Stockler fala sobre a importância de sonhar, mas também sobre se arriscar, ser criativo e se reinventar, e sobre os medos, a autocrítica e a falta de persistência que podem nos desviar do caminho. De maneira muito verdadeira, bem-humorada e despretensiosa, Gusta Stockler quer dividir com você um pouco da vivência dele sobre a arte de ouvir o coração e encontrar seu verdadeiro talento, incentivando você a perceber a importância de lutar e acreditar nos sonhos e, acima de tudo, persistir para alcançar uma vida feliz.

– A Última Carta de Amor

Londres, 1960. Ao acordar em um hospital após um acidente de carro, Jennifer Stirling não consegue se lembrar de nada. De volta a casa com o marido, ela tenta, em vão, recuperar a memória de sua antiga vida. Por mais que todos à sua volta pareçam atenciosos e amáveis, Jennifer sente que alguma coisa está faltando. É então que ela descobre uma série de cartas de amor escondidas, endereçadas a ela e assinadas apenas por ‘B’, e percebe que não só estava vivendo um romance fora do casamento como também parecia disposta a arriscar tudo para ficar com seu amante. Quatro décadas depois, a jornalista Ellie Haworth encontra uma dessas cartas endereçadas a Jennifer durante uma pesquisa nos arquivos do jornal em que trabalha. Obcecada pela ideia de reunir os protagonistas desse amor proibido – em parte por estar ela mesma envolvida com um homem casado –, Ellie começa a procurar por ‘B’, e nem desconfia que, ao fazer isso, talvez encontre uma solução para os problemas do próprio relacionamento.

– Depois de Você

Quando uma história termina, outra tem que começar. Com mais de 5 milhões de exemplares vendidos em todo o mundo, Como eu era antes de você conta a história do relacionamento entre Will Traynor e Louisa Clark, cujo fim trágico deixou de coração apertado os milhares de fãs da autora Jojo Moyes. Em Depois de você, Lou ainda não superou a perda de Will. Morando em um flat em Londres, ela trabalha como garçonete em um pub no aeroporto. Certo dia, após beber muito, Lou cai do terraço. O terrível acidente a obriga voltar para a casa de sua família, mas também a permite conhecer Sam Fielding, um paramédico cujo trabalho é lidar com a vida e a morte, a única pessoa que parece capaz de compreendê-la.

– Um Dia de Cada Vez

Neste novo romance, Danielle Steel celebra as famílias de todos os tipos ao contar a história de três casais muito diferentes, mas incrivelmente reais As mulheres Barringtons formam uma família atípica: a famosa escritora Florence Flowers é uma viúva cheia de vida que está namorando em segredo um homem 24 anos mais novo que ela. Jane, sua filha mais velha, é uma das maiores produtoras de Hollywood e vive há dez anos com sua companheira, com quem planeja ter um filho. A caçula, Coco, é a ovelha negra da família – trocou a faculdade de direito e o glamour de Los Angeles por uma vida simples numa pequena cidade no litoral norte da Califórnia, onde ganha a vida trabalhando como passeadora de cães. Quando Jane precisa se ausentar por alguns dias, pede à irmã mais nova que fique em sua luxuosa casa em San Francisco para cuidar de seu buldogue. Lá Coco tem uma incrível surpresa. Sem aviso, surge um hóspede: o charmoso Leslie Baxter, um dos atores mais badalados de Hollywood, que está fugindo de uma ex-namorada emocionalmente instável.

Está lendo algum livro que deseja indicar?  conta pra gente o que achou da indicação dessas literaturas.

Escrito, Livros

Resenha: Perdão, Leonardo Peacock – Matthew Quick

Nas últimas 24 horas tornei-me refém de Leonard Peacock. Rendi-me completamente aos encantos de Matthew Quick e sua escrita brilhante e fascinante porque é exatamente isto o que ele apresenta em Perdão, Leonard Peacock.

Eu já havia lido outros  títulos do  autor, cujos temas também narram histórias maravilhosas e tocantes como Quase uma Rockstar,  O Lado Bom da Vida e A Sorte do Agora, mas já havia um tempo em que algumas opiniões me chamavam a atenção a respeito desse livro e confesso que no momento em que li tais opiniões, eu ainda não me sentia aberto e disponível para lê-lo. Acredito que não era o momento. Para ler e, consequentemente compreender a história criada por Matthew Quick era preciso desligar-se de tudo que estava ao meu redor. Era preciso se entregar inteiramente à história e, para isso, decidi que o momento certo só viria quando eu estivesse 100%  envolvido de corpo e alma somente e exclusivamente a esse maravilhoso conto. Encomendei um exemplar só para mim e esperei ansiosamente pela chegada do produto. Enfim, decidi que a espera tinha acabado. Era hora de se doar ao maravilhoso diálogo de Matthew.

Perdão, Leonard Peacock é um livro intenso que desperta sentimentos da mesma grandeza. É possível chorar com a tristeza e solidão descrita por Leonard. Mas ao mesmo tempo, Leonard consegue arrancar risos com suas ideias e atitudes impulsivas. Não se deixe enganar pelas aparências ao supor que o livro irá retratar a história de um jovem depressivo e melancólico. Nada na escrita de Matthew Quick é superficial, raso, impessoal. O livro levanta questões atuais e sérias que abordam a solidão de um jovem esquecido pela família e ignorado pelos colegas de classe. Perdão, Leonard Peacock vai além do óbvio, do previsível. Não estamos aqui falando de mais um livro que tem o bullying como tema principal. Estamos falando de algo bem mais sério. O tema principal do livro é a depressão e o estado emocional de um jovem que clama por ajuda.

Leonard Peacock é um jovem solitário e deprimido que decide por um fim a sua vida justamente na data de seu 18º aniversário. Leonard planeja primeiramente matar seu ex-amigo Asher e logo em seguida suicidar-se. Tudo está meticulosamente planejado na mente de Leonard. A arma utilizada será uma pistola P-38 usada pelo avô na 2ª Guerra Mundial. Mas, antes de dar fim ao seu sofrimento, Leonard decide presentear as quatro pessoas que ele mais considera em sua vida.

Walt é o primeiro deles. Um velho que vive sozinho e que passa a maior parte de seu tempo sentado na poltrona de sua casa assistindo os filmes em preto e branco de Bogart. A sua relação com o vizinho é muito próxima. Leonard tem em Walt a figura paterna, o carinho e atenção que ele jamais tivera dos próprios pais.

Linda, a mãe, é estilista de moda e não dá a mínima para Leonard. O pai passara boa parte de sua vida bebendo e se drogando. Sem mais nenhum apego à família ele simplesmente parte para algum canto da Venezuela. Desde muito cedo Leonard se acostumou a viver sozinho. Por isso ele não teme a morte, pois para Leonard todos já estão mortos. Algo curioso é que Leonard chega a essa conclusão observando o cotidiano das pessoas em atitudes comuns.

Outros presentes precisam ser entregues antes que Leonard dê fim a tudo que lhe atormenta. Todos os presentes estão embrulhados em um papel cor-de-rosa, não por um acaso, para compreender o que está detrás de tal simbologia, o leitor deverá ficar atento aos sinais que são apresentados ao longo da narrativa.

É difícil descrever o quanto esta história é grandiosa. Em todos os aspectos Matthew Quick nos convida a refletir sobre como estamos acostumados a viver no piloto automático, agindo como robôs, esquecendo do valor das coisas simples. É pelo olhar clínico de um jovem “problemático” que conseguimos ter a real noção da falta de amor e respeito ao próximo. Como não paramos para ouvir o outro. Talvez, seja esta a premissa mais forte apresentada ao longo da narrativa.

Apesar de todo seu desequilíbrio emocional Leonard nos passa uma lucidez, uma visão de mundo madura para um jovem de apenas 18 anos. O engraçado é que tive momentos que senti vergonha de ser quem eu era e de como eu me comportava diante das mesmas situações descritas pelo personagem. A única pessoa que Leonard realmente confia é Herr Silverman (seu professor de história e também um dos poucos amigos de Leonard) mas até mesmo o professor guarda um segredo por baixo das mangas compridas de sua camisa. Leonard não entende o motivo pelo qual o professor nunca usara nenhum tipo de camiseta. O segredo de Herr Silverman é um dos pontos marcantes da história. Mas nada é tão chocante quanto o segredo que Leonard guarda e que faz com que todo o seu sofrimento se justifique.

Matthew Quick tem uma escrita simples, ligeiramente ácida, nua e crua, explorando cada momento com avidez. Precisamos manter o controle para não deixar nada escapar. Cada palavra ganha um peso diferente.

No momento em que o segredo de Leonard é revelado tive a sensação de que o ar tinha parado de circular. Tudo é tão perturbador que não tenho como descrever a sensação sufocante que senti neste momento. Quando chegamos a esse ponto imaginamos que a história por si só se defina, mas é exatamente o contrário. Conseguimos compreender toda a complexidade que envolve o segredo de Leonard e o motivo pelo qual ele desejara cometer o homicídio-suicídio.

A maestria de Matthew não para por aí. O livro é repleto de notas de rodapé e faz com que o leitor possa conhecer uma história dentro de outra história. Não chega a ser confuso porque o autor dá continuidade aos fatos exemplificando-os de maneira clara e objetiva. Além das notas de rodapé que tornam a narrativa ainda mais rica, o autor explora a criatividade e inteligência de Leonard apresentando cartas que o próprio personagem escrevera para o seu “eu” no futuro. É simplesmente perfeito.

Eu poderia escrever cinco mil palavras para definir o quanto este livro é magnífico em toda sua grandeza de sentimentos, mas ainda assim não seria suficiente. Perdão, Leonard Peacock é um dos livros mais bonitos que já li. Eu poderia descrevê-lo como um livro louco, belo, incrível, fascinante, chocante, encantador, perturbador. Prefiro resumi-los em apenas uma única palavra: PERFEITO.

Perdão, Leonard Peacock é aquele livro que todo mundo precisa ler. É um livro para levar pra vida. Não há como não se sentir modificado de alguma forma. Nunca um abraço significou tanto para mim. Cinco estrelas e favorito, é claro.

Filmes & Séries

Não Se Entregue

Esses dias eu, cansado do tédio, resolvi fazer algo que não fosse ficar de bobeira e decidi assistir a um filme, e o escolhido dessa vez foi um longa chamado “Perdido em Marte“. Você já deve ter ouvido falar desse filme, senão, pare o que você está fazendo nesse exato momento e vá diretamente assisti-lo, é um excelente filme. O protagonista principal do filme, Matt Damon, chegou a ser indicado pelo Oscar como desempenho de melhor ator e resumidamente, acabou levando a estatueta pra casa.

Antes de tudo, vou lhes dar um pequeno resumo do filme, pra que você não fique um pouco aéreo ou  confuso ao ler essa matéria. Aqui vai: O astronauta Mark Watney (Matt Damon) é enviado a uma missão em Marte. Após uma severa tempestade ele é dado como morto, abandonado pelos colegas e acorda sozinho no misterioso planeta com escassos suprimentos, sem saber como reencontrar os companheiros ou retornar à Terra.

Como você pode ver, o longa é praticamente um monólogo, pois o personagem está “sozinho” o tempo todo. Há algumas cenas da Nasa, de outros lugares, mas praticamente é ele que está por conta da própria sorte e de si mesmo, e como é que ele sobrevive a partir desse ponto. É bem reflexivo, porque na verdade, fala da sobrevivência humana, como é que com tudo dizendo “não vai dar certo, você vai morrer” e você dá um jeito de procurar pela vida. O nosso instinto de sobrevivência. Os conhecimentos que temos em nós e em como podemos coloca-los á disposição desta sobrevivência. É  um filme americano, sempre bonitinho, onde tudo acaba bem. É gostoso de ver, é agradável. Levou o premio de melhor ator por isto, porque é ele sozinho, é ele consigo mesmo, com todas as dificuldades de curar, se costurar-se, passar fome, mas nunca desistir. Isso é o que é mais interessante. Há nenhum momento o personagem se lamenta ou diz “ah, eles me largaram aqui, vou morrer e não tem jeito, não há uma saída.” Pelo contrário, havia uma forte necessidade de persistir e continuar, uma simples pergunta em sua mente martelando: “E agora, como eu faço pra sobreviver? O que eu posso fazer? Quantos dias eu vou poder sobreviver?” Isso, é não ter angustia frente aos problemas impostos a nós. Aha!  Difícil não é?! Em filme americano pode! E ainda a música que ele escuta durante sua estadia no centro espacial instalado no planeta vermelho é medonha. Fica claro que ele detesta ouvir aquela mesma melódia repetida e repetidas vezes durante dias, tendo como companhia sua única solidão. Mas ao mesmo tempo, maravilhamento, do amanhecer, do anoitecer, de se estar em presença absoluta.

O filme nos faz ver que, em alguns momentos na vida, nós somos como essa pessoa, que é abandonada num país, num planeta distante, sem talvez possibilidade nenhuma de sobrevivência, sem contato. Não há momentos na vida assim, que temos a leve impressão de que estamos separados de tudo e de todos? Que não temos contato, não fazemos contato, não recebemos respostas, não há comunicação, não há ajuda? E nós, ainda assim, não desistimos. Vamos em busca de meios e se lembramos que existe um caminho de se comunicar, que talvez esteja lá longe, que talvez tenhamos que fazer um esforço muito grande, atravessar um grande deserto, mas que quando chegamos lá, existe alguma coisa esquecida que ficou escondida em embaixo da areia que nos vai trazer de volta uma possibilidade de comunicação com outras pessoas, próximas ou distantes.

Esse com certeza vai ficar na memória porque é um filme poderoso que nos ensina valiosas lições. Principalmente a de não se desesperar diante do pior, de não abandonar a si mesmo, não ficar remoendo a própria dor e ressentimento e estagnar no tempo. Não somos assim ás vezes? Não temos uma tendência exagerada de pegar nosso sofrimento e insistirmos em ficarmos agarrados a ele? Constantemente levamos da vida uma “facada” ou uma “flechada”, mas como não foi suficiente, enfiamos outras diversas em cima e nos queixamos: “Como dói! E como dói!” E aí acabamos por viver uma coisa medonha, quando na verdade, podemos ser mais leves. Dói, sim, mas eu curo e continuo. Tudo isso nesse filme. E é assim que deveríamos agir. Você leva uma flechada, você tá sozinho, não tem ninguém pra te ajudar, ou você tira a flecha ou você morre. O que você vai fazer? Claro que vai optar por tirar a flecha, dar pontos e não ficar lá: “Aí, coitadinho de mim…” se lamentando ou se torturando, senão morre, na certa. Como é que superamos as nossas dificuldades, superamos nossos obstáculos? É possível! É por isso que nós estamos aqui, nossos ancestrais todos superaram. Nós somos esse DNA vencedor, e não o DNA perdedor. O perdedor desapareceu na história.

Enfim, é uma ótima sugestão que estou lhe recomendado e espero que você confira por si mesmo e tire suas próprias conclusões. Eu, particularmente, me identifiquei bastante.

Escrito, Inspiração

“Sinta a Dor”

Eu nunca fiz terapia nem tomei remédios, mas não tenho nada contra. A verdade é que muitas coisas aconteceram comigo, coisas boas e ruins. E eu precisaria de muitas palavras para explicar, mais palavras do que sou capaz de dizer.

Nunca fui uma pessoa violenta nem nada do tipo, embora conservasse uma revolta e inquietação ferrenha dentro de mim. Em segredo, sempre estive lidando com a depressão e ansiedade em meu interior. Sim, eu passo por crises de depressão e oscilações de humor regularmente, acho que é por isso que eu vejo o mundo por um ângulo diferente de como a maioria das pessoas vê. Também sou muito sensível.

No bairro em que cresci e do qual eu passei a maior parte de minha infância e adolescência, essas não eram características dignas de serem exibidas, de modo que as escondi por um longo tempo em minha vida. Eu fingia que não era quem eu era e, quando alguém tentava se aproximar de mim, eu escondia e não falava sobre isso abertamente. Em um bairro do qual eu fiz parte, você não fala abertamente sobre essas coisas. Houve momentos nos quais eu sentia que não tinha lugar pra mim no mundo. Muitas vezes, me sentia uma aberração ou um pária, embora eu fosse realmente bom em me integrar e interagir com as pessoas ao meu redor.

Eu achava vergonhoso falar de meus sentimentos e achava vergonhoso me sentir da forma como eu me sentia. Minha adolescência acabou sendo muito confusa e com bastante carga emocional por causa disso. Eu reprimia e ocultava o que sentia, porque pra sociedade ter sentimentos é uma coisa anormal. Pra sociedade não é bom que você ande por aí deprimido e cabisbaixo. Você logo virá um alvo fácil de críticas e julgamentos dos mais diversos e absurdos. Pra sociedade não é bom que você fale sobre esses assuntos, porque tudo que você tem que fazer é ser uma ovelha e obedecer. Fazer parte do rebanho. Vestir seu sorriso mais convincente e fingir descaradamente que está tudo bem, que não tem nada de errado.

Existe uma necessidade muito grande no mundo de se falar mais abertamente sobre esses assuntos, sobre doenças mentais. Porque se você parar e observar as pessoas na rua, você vai notar que quase todo mundo está no mesmo barco. Vai perceber os tiques nervosos, os olhares assustados, os passos apressados rumo a lugar-nenhum revelando a ansiedade intensa. E se você se esforçar um pouquinho mais, poderá notar também como é forte o ruído mental na cabeça de todas essas pessoas. Você cairá em si e verá que há muitos outros indivíduos lutando contra essas doenças o tempo todo. Daí a nossa urgência de ter mais conversas sobre esse assunto, porque muita gente tem estes problemas e se identifica bastante com esse tipo de temática, só se sentem um pouco inibidas para se abrirem de primeira. 

É interessante e desafiador falar sobre doenças mentais; e não estou me limitando aqui somente a doenças já popularmente conhecidas como a depressão e a ansiedade, mas a qualquer tipo de emoção conflitante que te impeça de aproveitar o momento PRESENTE, assim como ele é, livre de julgamentos, porque pode nos levar a um inicio de uma importante conversa; e é um ótimo ponto de partida para as pessoas dizerem “eu também”, o meu irmão, ou minha irmã, ou minha mãe. Em algum momento todo mundo se identifica.

Na maior parte do decorrer da vida, as pessoas percebem que há algo de errado com elas e com o mundo, mas preferem ignorar. Eu acho que de vez em quando devemos nos presentear com um belo de um tapa na cara, como quem diz: “Ei louco, acorde!”. Precisamos nos forçar a ver que não estamos felizes, que estamos levando uma vida morna e deprimente, que temos problemas sérios de ansiedade e que realmente não estamos vivemos da forma que queremos. Isso é uma coisa muito difícil de admitir, mas temos que fazer, não há outro jeito. Acredito que se você quer alcançar a verdade, você tem que estar vulnerável. Se você quer crescer, se quiser descobrir quem você é, se quiser crescer emocionalmente, você tem que ser vulnerável. Tem que admitir que está fragilizado e começar a trabalhar. É nosso dever pegar tudo que está dando errado e fazer dar certo. Devemos tentar de qualquer forma. Porque é pela sua rachadura que a luz penetra em você. Então, dê uma chance a nós, os desajustados. Dê uma chance pra si mesmo, porque como eu disse antes, estamos todos no mesmo barco.

Vlogs

Vlog: Encontro de Youtubers no RN

Olá, Tudo bem com vocês? Sábado passado 29/04 aconteceu o 5º encontrou de Youtubers aqui em Natal-RN, organizado pelo meu querido amigo Samuel Ângelo. O encontro aconteceu no Bosque dos Namorado, localizado no Parque Das Dunas. Claro que eu não poderia ficar de fora e acabei conferindo de perto esse maravilhoso encontro de Youtubers.

Além de conhecer pessoas maravilhosas e aproveitar bem o dia, eu tirei minha câmera do quarto e acabei gravando tudo para vocês, onde irão conferir de perto como foi esse maravilhoso encontro com os melhores Youtubers do Rio Grande do Norte. Confira!

Nas informações do vídeo tem o link de cada canal de Youtuber que apareceu no Vlog. Conta pra gente o que achou do encontro. Não esqueça de se inscrever no Canal e dá aquele Like.

Musicas

Playlist da Semana | Good Vibes

Muitas coisas estão acontecendo na minha vida, isso é tão bom. Mudar totalmente o rumo da vida da uma sessação tão positiva né? Para vocês entrarem no clima junto comigo e alegrar mais ainda, separei uma playlist no Spotify muito legal chamada Good Vibes, onde você irá ouvir minhas músicas preferida do momento. Aperte o Play!

Espero que tenham gostado. Me digam aqui nos comentários qual é a sua música preferida dessa playlist.

Livros

As paisagens únicas da terra de Björk

Que tal ter uma oportunidade de conhecer a terra mágica – Islândia? Muitas pessoas não sabem, mas a Islândia é um lugar pouco conhecido para os turistas. Ultimamente virou destino modinha entre os chamados hipsters. Sua beleza natural são tão destinas que fica complicado de traduzi-las em qualquer forma de palavras. Uma boa noticia é o livro “Primordial Landscapes: Iceland Revealed”, do geólogo e escritor Ari Trausti Guômundsson.

Você terá uma oportunidade de conhecer lugares incríveis ao lado do fotógrafo Feodor Pitcairn. Feodor documentou as passagens do país em cliques surpreendentes, que foi possível registrar desde os vulcões em erupção em meio da neve até as montanhas, lagos e o famoso céu estrelados da Inslândia. O livro também vem com mapas e informações sobre a geologia do país de Bjork.

Lembrando que o livro “Primordial Landscapes: Iceland Revealed” é publicado pela Power House Books e o melhor de tudo. Já está à venda na internet.

Compras

Loja da Quinta: Para quem ama roupas Masculinas

Olá, tudo bem com vocês? Hoje irei começar falando da grande questão do homem. Sabe qual é o grande problema de nós homens? A preguiça em fazer compras para o guarda-roupa. Tenho amigos que tem problemas com isso. Tem homens que realmente acha melhor ficar em casa e comprar pela internet, tudo tão fácil e pratico hoje em dia, né mesmo? Claro que comprar pela internet torna tudo fácil de mais e acaba facilitando a vida de todos.

Hoje na loja da quinta-feira escolhi a Sawary, além de você ter essa facilidade disponível com entrega em casa, o próprio site disponibiliza facilidade ao navegar. E para quem estava reclamando que sempre dou prioridade só aos homens, a loja fornece produtos masculinos e femininos. Sim, tem mais… A primeira troca do seu produto é totalmente grátis. Não é incrível? Hah

A forma de pagamento: A loja disponibiliza no cartão, aplicativos onlines e você também pode pagar no boleto bancário, se você optar por boleto a Sawary dá 5% de descontos em qualquer produto.

Gostou da dica de hoje? Você já é cliente da loja online? Tem alguma opinião sobre a loja ou até mesmo uma reclamação? nos conte nos comentários!

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