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Everton Almeida

Escrito, Inspiração

CARTA A JUDAS

Ei, caro Judas…

Sabia que ainda o “malham” no sábado de aleluia?

Tem um monte de gente que o critica dois mil anos depois,

mas não perde a chance de ganhar

um quinhão para se dar bem.

Você tem que vir e explicar que o que fez,

estava escrito que faria.

Como seria a história se não tivesse obedecido

a imposição do seu Pai?

Você foi pressionado, parece-me.

Poderia ter escolhido não fazer.

Mas fez. Problema seu. Pagou.

As pessoas dos séculos que vieram não entenderam.

No séc. XXI ainda não compreendem bem isso.

Querem seguir seu exemplo, e o superam muito.

O ouro hoje é de quantidade imensurável.

Suas trinta moedinhas são nada,

perto do vil metal a que se apegam seus seguidores.

Hoje seriam seus chefes.

Você não entende nada de barganha e ganância, Judas.

Precisa vir aprender aqui. Em muitas igrejas.

Você não imagina o quanto se ganha

em nome do homem que você “traiu”.

Músicas, shows, bênçãos recebidas, souvenires…

Precisa lembrar-lhes de que você beijou porque amava,

devolveu as moedas, arrependeu-se (tarde demais)

e cometeu suicídio pela vergonha do que fez.

Hoje, nestes casos, não o cometem.

Se o fizessem, seria porque perderam o metal,

e o vazio do bolso lhes sufocou o pescoço.

Mas não. Não cometem suicídio.

Não têm por que. Prosperam muito.

Tudo em nome Daquele que você trocou

por trinta malditas moedas de prata.

Sinto muito, Judas.

Você não beira aos pés dos novos mercadores de Jesus.

Se visse, iria suicidar-se de novo.

Escrito

Verdade, Verdade…

Antes dos meus amigos a minha vida era péssima. Eu vivia alienado, sem o apoio e compreensão de ninguém a minha volta, com exceção de poucos colegas da escola e por um ou dois professores que percebiam minha desmotivação frente ao meu potencial em sala de aula e me incentivavam a continuar e a persistir apesar dos conflitos que aconteciam á minha volta. Eu vivia insatisfeito, deslocado, vendo todos por trás. Mesmo como filho, irmão, eu nunca me sentia inteiro. Era quase insuportável a sensação de se sentir sozinho. E eu conhecia bem de perto essa sensação. Ate cheguei a me familiarizar bastante com ela, ao ponto de torna-la íntima. Mas depois de um tempo as coisas mudaram. Agora eu posso dizer que Existem Pessoas que significam muito pra mim.

Ainda que o tempo e a vida tenham distanciado a maioria de mim. Depois que eu encontrei essas pessoas, eu me senti parte de algo. Eu já não me encontrava e nem me sentia mais sozinho. Eu posso dizer que me importo mais com elas do que comigo. Porque eles me salvaram de mim mesmo, eles me salvaram da minha solidão. E foram os primeiros a me aceitar como eu sou. Eles são os meus AMIGOS; pessoas com quem eu posso contar pra qualquer tipo de situação. Podem compreender isso só um pouquinho?

Depois que essas pessoas entraram na minha vida eu pude me tornar alguém melhor, porque de algum jeito, elas me ajudaram a enxergar e a compreender meu próprio vazio, minha própria dor. Essas pessoas me fizeram perceber que família não se limita apenas as pessoas de seu próprio sangue; que família é qualquer pessoa com quem se pode criar um laço forte e trabalhar para que esse se torne permanente.

Meus amigos fizeram muito mais do que apenas preencher um vazio que eu tinha em meu peito. Eles me ajudaram achar um sentido pra minha vida. Eles são a minha motivação diária, que me impulsiona a seguir em frente, sem medo, sem receio de olhar pra trás.

Escrito, Inspiração

Cheios de lava derretida

Sabe o que eu nunca vou entender, o porque das pessoas se matarem lentamente, vivendo diariamente se auto-sabotando-se. Meu palpite é que estamos todos muito perdidos, sabe. Não fazemos ideia do que fazer, de como seguir em frente, de qual forma é mais decente e digna de se viver. Queimando por dentro. Achamos que o cigarro, o álcool e as drogas irão preencher o vazio, mas nos enganamos, essas coisas só nos entorpecem por um limitado período de tempo. Depois é preciso algo mais, como encarar problemas que tanto varremos pra debaixo do tapete, cara a cara. As coisas não somem se você finge que elas não existem. Elas permanecem lá, ocultas no escuro, esperando uma oportunidade de se mostrarem, de mostrarem os dentes. E se a gente não tiver coragem o suficiente para enfrentar nossos medo, então, acabamos por nos tornar submissos a eles.

É como dizem por aí: “O carrossel nunca para de girar, não se pode sair.” A gente cresce cresce e percebe que em algumas ocasiões é horrível ser adulto, que não é nada do jeito que a gente sonha quando se é criança e deseja que o tempo passe rápido o bastante para que possamos ser independentes e livres do pesadelo de viver dentro das limitações que nossos pais nos impõem.

A verdade meu caros, e que todo mundo cresce em determinado momento, mas nem todos amadurecem. Porque amadurecer leva tempo e prática. E nós, que nos tornamos seres humanos complexos e impacientes a medida que o mundo prossegue, desejamos tudo pronto de imediato numa bandeja ao nosso alcance, sem mais delongas. E aí de quem ousar nos contrariar! Nem tudo está ao nosso alcance. É preciso humildade para reconhecer que os eventos da vida, interiores e exteriores também têm um papel importante, uma forte influência em nossas escolhas. Mas não enxergamos isso, não é? Pois é. E é por não enxergar que vamos nos preenchendo de tudo um pouco, tentando desesperadamente tapar a sensação de vazio que nos corrói peito adentro, forçando as circunstâncias, insaciados, loucos insanos querendo sempre mais.

Ás vezes nos sentimos vazios por dentro. Mas talvez o que se sinta não tenha nada a ver com a ausência de algo, e sim com o excesso. Cheios, sobrecarregados, como uma taça que se encheu demais. Preste atenção, veja bem se você não se tornou um acumulador, não de objetos, é claro. Isso todos nós somos, mas de sentimentos, ideias e suposições paranoicas que já não lhe servem mais e não param de lhe tirar o sono á noite, de amores falidos a esperanças e expectativas mal alimentadas, de ressentimentos não digeridos á sonhos não concretizados, e por aí vai… Dê uma espiada e veja se os os fins justificam os meios.

É, acho que agora eu entendo. Ainda que nãos seja nada justificável pra mim, mas acho que entendo.

Escrito, Inspiração

Não é como nos filmes

Acabei de assistir a um filme chamado “Jovens Adultos“, no qual a divorciada e escritora Mavis Gary (Charlize Theron) retorna para sua cidade natal no estado de Minnesota, nos Estados Unidos, disposta a reconquistar seu ex-namorado, Buddy Slade (Patrick Wilson). Acontece que ele, atualmente, está casado com Beth (Elizabeth Reaser) e acaba de ganhar uma filha. Mesmo assim Mavis não desiste de sua tentativa frustrada de conquistá-lo, já que acredita que Buddy na verdade está infeliz e quer retornar para a mulher dos seus sonhos, que no caso, é ela (ou pelo menos é isso que ela pensa).

É um dos filmes que eu recomendo, já que é livre daquela tola fantasia emocional de filmes clichês americanos em que tudo se encaixa e termina perfeitamente bem no final. Acredito que filmes assim, fazem nossas vidas melhores. Pois são os que mais se aproximam da realidade em que vivemos, da qual as coisas nem sempre terminam da maneira como idealizamos em nossas inocentes e frágeis cabecinhas. Estamos tão acostumados com “finais felizes” vistos em filmes por ai que vivemos relutantes em aceitar que algumas vezes nós perdemos, e perdemos feio.

No filme, Mavis interpreta todos os gestos e expressões de seu confidente por quem guarda profunda amor e admiração como “sinais” devido a estar profundamente obcecada pelo seu objeto de desejo que no caso é Buddy. Ainda é possível ver no filme que Mavis tenta desesperadamente conter suas emoções com a busca desenfreada por álcool, chegando até ficar dependente em certo ponto. Sim, ela assume essa posição no filme e se auto-intitula uma alcoólatra nata. As coisas só pioram quando Mavis descobre que Buddy nãos sente nada em relação a ela, há não ser uma pequena margem de afeto e admiração devido a eles terem sido bastante amigos e até namorados por um longo período no ginásio. Ela se recusa a aceitar isso no inicio, mas logo cai em si e se dá conta que precisa se reinventar e seguir em frente, que não há reciprocidade amorosa vinda do Buddy e não há nenhuma chance de ela tê-lo em sua vida tão conturbada.

Mavis finalmente aceita a dor e para de alimentar sua ilusão tosca e  Há vários outros detalhes e fatos interessantes no filme que eu, confesso, me identifiquei muito, mas não vou descrever aqui porque acredito que algum leitor vá assistir ao filme depois e não quero ter contado tudo para não estragar o desenrolar da trama num só post.

Não sou nenhum pessimista que abomina finais felizes nem nada. Só passei a ter mais preferência por filmes e livros que se aproximem ao máximo da realidade, sem muita idealização ou exagero. A vida é dura, e nós temos que saber o quão difícil ela pode ser. Sei que todos nós desejamos que nossas vidas fossem um filme de sessão da tarde, em que apesar de todos os empecilhos e dificuldades encontrados no meio do caminho, conseguiremos prevalecer e viver sem mais dores de cabeça.

A verdade é que ás vezes as coisas não acabam bem, e temos que ser fortes o bastante para mudar o rumo de nossas vidas. Claro que é essencial conservar otimismo, humor e esperança, mas estou falando do fato de sermos um pouco mais realistas e não nos permitir sermos levados tanto pelos nossos sentimentos. O que mais tarde vai resultar em uma profunda bola de neve que não para de crescer nunca, já que nossos sentimentos e impulsos são difíceis de serem saciados assim tão facilmente. É mais parecido como colocar lenha na fogueira, alimentando e fazendo cada vez mais um fogo que você luta pra apagar.

Aceitar que perdemos, que não foi o caminho certo, que não foram boas escolhas, que o amor pode falhar é o primeiro passo para enxergar o problema um pouco mais com clareza e redirecionar o rumo de sua vida. Aceite! Algumas coisas nunca vão sair da forma como você imagina. Pra falar a verdade a maioria delas. E quando isso acontecer, mude a página, vire o capítulo, tente algo novo dando tempo a si mesmo pra se adaptar as suas novas escolhas e para que o passado, em determinado momento se torne apenas passado. Pare de esperar seu final feliz e seja eterna e diariamente seu próprio final feliz. Porque todo dia algo morre e nasce em você, no íntimo do seu ser. E também porque todo dia é dia de recomeçar.

Comportamento, Escrito, Inspiração

Era da inocência

Sabe o que é uma droga? Perceber que tudo em que você acredita é uma verdadeira mentira, é um saco. Sabe, destino, alma gêmea, amor verdadeiro e toda essa bobagem infantil de conto de fadas. Não se pode atribuir um significado cósmico a um simples evento na terra. Não existem milagres. Não existe essa coisa de destino. Nada é pra ser. Uma lição aprendida: nem tudo o que se vê, é o que se parece. Não é só porque alguém flerta com você, que isso a torna sua alma gêmea.

Acho que é isso que eu nunca vou entender. Quer dizer, não faz o menor sentido. Talvez as lições tenham que doer para entrar na cabeça. Seja como for, você tem que aprender a levantar-se da mesa quando o amor não está mais servido. Que nem sempre suas expectativas irão se alinhar com  a realidade. Não estou tentando lhe passar uma imagem negativa sobre o conceito de se apaixonar. O que eu estou tentando lhe dizer é que, é sempre bom conhecer os territórios por onde nos aventuramos, antes de nos jogarmos cegamente de cabeça, evitando mais tarde uma tremenda ressaca por embriaguez de desilusão.

Somos responsáveis pela infinita cadeia de reações que resultam de nossos pequenos atos. E por mais que nos esforçamos, jamais iremos compreender algumas coisas sobre a vida. Algumas perguntas nunca serão respondidas, da mesma forma que alguns fatos nunca serão compreendidos. A vida é uma grande incógnita, uma grande bagunça. No final, você descobre que não vale a pena continuar mal-humorado e atormentado por causa de algo a respeito do qual já não se pode fazer mais nada. Que a única opção viável é seguir adiante. Só então você amadurece e percebe que não tem graça nenhuma em ficar olhando para o passado. Adeus era da Inocência.

Escrito, Inspiração

“Pelo seu caminho” (23/01/2017)

Durante muito tempo em minha vida eu me senti perdido, sabe. E eu achava isso um pouco estranho, anormal. Pelo simples fato de estar obcecado em observar a vida alheia, eu constantemente me via em conflito por viver sempre fazendo comparações. Eu simplesmente me perguntava como a grama do vizinho podia ser de uma cor tão verde e exuberante. O que ele fazia, qual era o segredo? Porque as pessoas ao meu redor sempre me pareciam mais felizes e contentes do que eu? Em que eu estava errando? O que eu estava fazendo que não me permitia ser feliz? Porque eu não conseguia ser como eles? Porque eu não conseguia experimentar de tal sensação que os deixavam tão eufóricos, a não ser por raras ocasiões? Eu não conseguia compreender. Continue Reading

Escrito, Inspiração

“Através da escrita” (20/01/2017)

Você já teve a sensação de estar vivendo num barril de pólvora soltando faíscas?

Porque eu tenho vivido nesse dilema há meses. Estou escrevendo porque preciso afrouxar esse nó em minha garganta. Estou escrevendo porque disseram-me que é terapêutico. Estou escrevendo porque cansei de chorar. Estou escrevendo porque é minha única opção, é tudo que eu sei fazer, tudo o que me restou nesse momento, nada mais. E enquanto escrevo a emoção tenta prevalecer sobre mim, marejando meus olhos. Continue Reading

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