Escrito

O Diabo é o Pai do Rock

*Antes de mais nada, saio em minha defesa para deixar bem claro que o texto que venho a publicar mais abaixo não é de minha autoria. Encontrei-o em uma de minhas navegadas pela web, mais precisamente num site de monólogos, e resolvo agora compartilhar com vocês. Em parte porque sou uma pessoa bastante eclética e curto muito um bom rock, e em parte porque a pessoa de autoria soube muito bem utilizar de suas palavras para explicar o que há muito tempo eu também vinha tentando dizer aos preconceituosos de plantão. Sim, aqueles que saem por aí ladrando e julgando tudo e a todos sem procurar conhecer uma ínfima parcela do assunto ou do sujeito. Essa é pra vocês!

É triste, mas pouca gente entende a ironia de Raul. Já faz parte do imaginário popular pensar que rockeiro é drogado, baderneiro e satanista, mesmo que você não conheça um único rockeiro que seja tudo isso.  Minha mãe é a primeira a arregalar os olhos quando digo que vou para um show de rock. Ela imagina todos aqueles homens cabeludos vestidos de preto, tocando uma música barulhenta, enquanto todos os outros cabeludos balançam a cabeça. Provavelmente pensa que vou ser esmagada ou pisoteada durante uma roda punk, quando, na realidade, eu permaneço praticamente intocada dentro de um círculo invisível de proteção. Chega a ser irritante ouvir os caras falando o tempo todo: “ó a menina aí”, “cuidado com a menina”, como se eu fosse de vidro, mas só essa preocupação já é uma amostra de como os rockeiros são gente finíssima.

As rodas punks, ao contrário do que se pensa, não são uma manifestação gratuita de violência. São muito mais uma catarse coletiva onde as pessoas liberam toda aquela energia que está sendo absorvida pela música. A vibração é tão grande que é preciso extravasar, libertar os demônios (vê? libertar, não invocar). É claro que nessa brincadeira todo mundo acaba levando pelo menos uma cotovelada ou um “pisão” no pé, mas se alguém cai, tem sempre uma mão vinda não-se-sabe-de-onde pra te levantar.

Um dia desses, quando eu voltava de um show, o taxista começou a falar sobre como eu devia tomar cuidado com esses lugares, de como os rockeiros só vivem chapados e não querem nada com a vida. O irônico é que ele estava ouvindo um DVD de Whitney Houston, aquela da música “I will always love youuuuuu” do filme do guarda costas (deve ser o único sucesso dela), que curiosamente tinha acabado de morrer por overdose de cocaína. Fiquei de cara com o preconceito, ou com o conceito que ele achava que tinha sobre algo que ele provavelmente jamais havia experimentado (o rock, não as drogas).

Mas a verdade é que arte e drogas sempre andaram juntas.  As substâncias se diversificaram, algumas só mudaram de nome, mas grande parte da produção criativa da humanidade nem mesmo existiria se não fossem por elas. Eu, particularmente, agradeço ao LSD por músicas como “Shine on you crazy diamond”, do Pink Floyd, e por tantas outras do Bob Dylan, Rolling Stones e até mesmo dos próprios Beatles.

Quanto ao satanismo, convenhamos, é uma crença como outra qualquer. Assim como existe o rock cristão, também existe o rock satânico, que, aliás, atende por nomes bastante sugestivos, como Black e Death Metal, para que você não seja pego de surpresa.  Entenda, não se trata de uma regra, é apenas a beleza da democracia e da liberdade de expressão¹, que permite que as pessoas escrevam músicas sobre qualquer coisa, inclusive sobre bundinhas e garrafas. Não falo isso com desdém, acredite, o sexo é um elemento recorrente na história da música e da arte em geral, justamente por ser uma linguagem universal. Digamos apenas que alguns compositores são, hm… mais refinados do que outros.

Se o diabo é o pai do rock, então ele é também o pai do funk, do axé, do pop e da bossa nova. Mas Raul, apesar de incompreendido, já havia alertado: “Existem dois diabos, só que um parou na pista/Um deles é o do toque, o outro é aquele do exorcista”. O diabo do toque é o diabo do conhecimento, da lucidez, da resistência e da liberdade do pensamento. Einstein provavelmente curtia esse toque, o Freud também. Mas se por acaso você venha a ter com o “outro” demônio, aí meu amigo, a culpa não é do rock não!

¹ DEIXA EU FALAR, FILHA DA PUTA!

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