Filmes & Séries

Não Se Entregue

Esses dias eu, cansado do tédio, resolvi fazer algo que não fosse ficar de bobeira e decidi assistir a um filme, e o escolhido dessa vez foi um longa chamado “Perdido em Marte“. Você já deve ter ouvido falar desse filme, senão, pare o que você está fazendo nesse exato momento e vá diretamente assisti-lo, é um excelente filme. O protagonista principal do filme, Matt Damon, chegou a ser indicado pelo Oscar como desempenho de melhor ator e resumidamente, acabou levando a estatueta pra casa.

Antes de tudo, vou lhes dar um pequeno resumo do filme, pra que você não fique um pouco aéreo ou  confuso ao ler essa matéria. Aqui vai: O astronauta Mark Watney (Matt Damon) é enviado a uma missão em Marte. Após uma severa tempestade ele é dado como morto, abandonado pelos colegas e acorda sozinho no misterioso planeta com escassos suprimentos, sem saber como reencontrar os companheiros ou retornar à Terra.

Como você pode ver, o longa é praticamente um monólogo, pois o personagem está “sozinho” o tempo todo. Há algumas cenas da Nasa, de outros lugares, mas praticamente é ele que está por conta da própria sorte e de si mesmo, e como é que ele sobrevive a partir desse ponto. É bem reflexivo, porque na verdade, fala da sobrevivência humana, como é que com tudo dizendo “não vai dar certo, você vai morrer” e você dá um jeito de procurar pela vida. O nosso instinto de sobrevivência. Os conhecimentos que temos em nós e em como podemos coloca-los á disposição desta sobrevivência. É  um filme americano, sempre bonitinho, onde tudo acaba bem. É gostoso de ver, é agradável. Levou o premio de melhor ator por isto, porque é ele sozinho, é ele consigo mesmo, com todas as dificuldades de curar, se costurar-se, passar fome, mas nunca desistir. Isso é o que é mais interessante. Há nenhum momento o personagem se lamenta ou diz “ah, eles me largaram aqui, vou morrer e não tem jeito, não há uma saída.” Pelo contrário, havia uma forte necessidade de persistir e continuar, uma simples pergunta em sua mente martelando: “E agora, como eu faço pra sobreviver? O que eu posso fazer? Quantos dias eu vou poder sobreviver?” Isso, é não ter angustia frente aos problemas impostos a nós. Aha!  Difícil não é?! Em filme americano pode! E ainda a música que ele escuta durante sua estadia no centro espacial instalado no planeta vermelho é medonha. Fica claro que ele detesta ouvir aquela mesma melódia repetida e repetidas vezes durante dias, tendo como companhia sua única solidão. Mas ao mesmo tempo, maravilhamento, do amanhecer, do anoitecer, de se estar em presença absoluta.

O filme nos faz ver que, em alguns momentos na vida, nós somos como essa pessoa, que é abandonada num país, num planeta distante, sem talvez possibilidade nenhuma de sobrevivência, sem contato. Não há momentos na vida assim, que temos a leve impressão de que estamos separados de tudo e de todos? Que não temos contato, não fazemos contato, não recebemos respostas, não há comunicação, não há ajuda? E nós, ainda assim, não desistimos. Vamos em busca de meios e se lembramos que existe um caminho de se comunicar, que talvez esteja lá longe, que talvez tenhamos que fazer um esforço muito grande, atravessar um grande deserto, mas que quando chegamos lá, existe alguma coisa esquecida que ficou escondida em embaixo da areia que nos vai trazer de volta uma possibilidade de comunicação com outras pessoas, próximas ou distantes.

Esse com certeza vai ficar na memória porque é um filme poderoso que nos ensina valiosas lições. Principalmente a de não se desesperar diante do pior, de não abandonar a si mesmo, não ficar remoendo a própria dor e ressentimento e estagnar no tempo. Não somos assim ás vezes? Não temos uma tendência exagerada de pegar nosso sofrimento e insistirmos em ficarmos agarrados a ele? Constantemente levamos da vida uma “facada” ou uma “flechada”, mas como não foi suficiente, enfiamos outras diversas em cima e nos queixamos: “Como dói! E como dói!” E aí acabamos por viver uma coisa medonha, quando na verdade, podemos ser mais leves. Dói, sim, mas eu curo e continuo. Tudo isso nesse filme. E é assim que deveríamos agir. Você leva uma flechada, você tá sozinho, não tem ninguém pra te ajudar, ou você tira a flecha ou você morre. O que você vai fazer? Claro que vai optar por tirar a flecha, dar pontos e não ficar lá: “Aí, coitadinho de mim…” se lamentando ou se torturando, senão morre, na certa. Como é que superamos as nossas dificuldades, superamos nossos obstáculos? É possível! É por isso que nós estamos aqui, nossos ancestrais todos superaram. Nós somos esse DNA vencedor, e não o DNA perdedor. O perdedor desapareceu na história.

Enfim, é uma ótima sugestão que estou lhe recomendado e espero que você confira por si mesmo e tire suas próprias conclusões. Eu, particularmente, me identifiquei bastante.

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