Escrito, Inspiração

Não é como nos filmes

Acabei de assistir a um filme chamado “Jovens Adultos“, no qual a divorciada e escritora Mavis Gary (Charlize Theron) retorna para sua cidade natal no estado de Minnesota, nos Estados Unidos, disposta a reconquistar seu ex-namorado, Buddy Slade (Patrick Wilson). Acontece que ele, atualmente, está casado com Beth (Elizabeth Reaser) e acaba de ganhar uma filha. Mesmo assim Mavis não desiste de sua tentativa frustrada de conquistá-lo, já que acredita que Buddy na verdade está infeliz e quer retornar para a mulher dos seus sonhos, que no caso, é ela (ou pelo menos é isso que ela pensa).

É um dos filmes que eu recomendo, já que é livre daquela tola fantasia emocional de filmes clichês americanos em que tudo se encaixa e termina perfeitamente bem no final. Acredito que filmes assim, fazem nossas vidas melhores. Pois são os que mais se aproximam da realidade em que vivemos, da qual as coisas nem sempre terminam da maneira como idealizamos em nossas inocentes e frágeis cabecinhas. Estamos tão acostumados com “finais felizes” vistos em filmes por ai que vivemos relutantes em aceitar que algumas vezes nós perdemos, e perdemos feio.

No filme, Mavis interpreta todos os gestos e expressões de seu confidente por quem guarda profunda amor e admiração como “sinais” devido a estar profundamente obcecada pelo seu objeto de desejo que no caso é Buddy. Ainda é possível ver no filme que Mavis tenta desesperadamente conter suas emoções com a busca desenfreada por álcool, chegando até ficar dependente em certo ponto. Sim, ela assume essa posição no filme e se auto-intitula uma alcoólatra nata. As coisas só pioram quando Mavis descobre que Buddy nãos sente nada em relação a ela, há não ser uma pequena margem de afeto e admiração devido a eles terem sido bastante amigos e até namorados por um longo período no ginásio. Ela se recusa a aceitar isso no inicio, mas logo cai em si e se dá conta que precisa se reinventar e seguir em frente, que não há reciprocidade amorosa vinda do Buddy e não há nenhuma chance de ela tê-lo em sua vida tão conturbada.

Mavis finalmente aceita a dor e para de alimentar sua ilusão tosca e  Há vários outros detalhes e fatos interessantes no filme que eu, confesso, me identifiquei muito, mas não vou descrever aqui porque acredito que algum leitor vá assistir ao filme depois e não quero ter contado tudo para não estragar o desenrolar da trama num só post.

Não sou nenhum pessimista que abomina finais felizes nem nada. Só passei a ter mais preferência por filmes e livros que se aproximem ao máximo da realidade, sem muita idealização ou exagero. A vida é dura, e nós temos que saber o quão difícil ela pode ser. Sei que todos nós desejamos que nossas vidas fossem um filme de sessão da tarde, em que apesar de todos os empecilhos e dificuldades encontrados no meio do caminho, conseguiremos prevalecer e viver sem mais dores de cabeça.

A verdade é que ás vezes as coisas não acabam bem, e temos que ser fortes o bastante para mudar o rumo de nossas vidas. Claro que é essencial conservar otimismo, humor e esperança, mas estou falando do fato de sermos um pouco mais realistas e não nos permitir sermos levados tanto pelos nossos sentimentos. O que mais tarde vai resultar em uma profunda bola de neve que não para de crescer nunca, já que nossos sentimentos e impulsos são difíceis de serem saciados assim tão facilmente. É mais parecido como colocar lenha na fogueira, alimentando e fazendo cada vez mais um fogo que você luta pra apagar.

Aceitar que perdemos, que não foi o caminho certo, que não foram boas escolhas, que o amor pode falhar é o primeiro passo para enxergar o problema um pouco mais com clareza e redirecionar o rumo de sua vida. Aceite! Algumas coisas nunca vão sair da forma como você imagina. Pra falar a verdade a maioria delas. E quando isso acontecer, mude a página, vire o capítulo, tente algo novo dando tempo a si mesmo pra se adaptar as suas novas escolhas e para que o passado, em determinado momento se torne apenas passado. Pare de esperar seu final feliz e seja eterna e diariamente seu próprio final feliz. Porque todo dia algo morre e nasce em você, no íntimo do seu ser. E também porque todo dia é dia de recomeçar.

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